Assédio Moral no Trabalho, violência que precisamos combater!

Os ambientes de trabalho carregam consigo inúmeras situações que não estão descritas nas atribuições de cargo nem nos contratos de trabalho, situações que geram sobrecarga aos trabalhadores e muitas vezes violências, como o assédio moral. Sim, o assédio moral no trabalho é uma violência e precisamos falar sobre esse assunto delicado e sério, identificar casos, apoiar as vítimas e criar estratégias para combatê-lo.

O assédio moral é caracterizado por Margarida Barreto (2006) como situações violentas e constrangedoras, repetitivas e prolongadas, durante o exercício do trabalho e no desempenho de suas funções, e por Marie France Hirigoyen (2007) como condutas abusivas no ambiente de trabalho, podendo se manifestar por “comportamentos, palavras, atos, gestos, escritos que possam trazer dano à personalidade, à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa, pôr em perigo seu emprego ou degradar o ambiente de trabalho” (p. 65). Pode se manifestar nos setores públicos e privados, nas relações de trabalho verticais (entre chefia e subordinado) e nas horizontais (entre colegas), bem como de forma individual ou coletiva.

Muitos podem ser os motivos para esse tipo de agressão no trabalho. Eles vão desde a escolha errada do gestor, que não tem um perfil adequado para o cargo, até competições entre colegas e lutas pelo poder. No entanto, em todos os casos, certamente a presença do assédio moral no trabalho irá sinalizar problemas nos relacionamentos interpessoais e, inevitavelmente, degradar o ambiente de trabalho e diminuir drasticamente a produtividade.

Os efeitos do assédio moral sobre a saúde do trabalhador e para a instituição são, muitas vezes, devastadoras! Para o trabalhador, causa sofrimento psíquico e pode desencadear patologias mentais relacionadas ao trabalho, como episódios depressivos, transtornos de ansiedade, síndrome do pânico e síndrome do estresse pós-traumático. Para a instituição, afeta no trabalho em equipe, no aumento dos afastamentos do trabalho por adoecimento dos trabalhadores, diminuição da produtividade, riscos de processos judiciais e impactos sociais, pois a empresa que pratica assédio moral passa a ser malvista na comunidade.

Denúncias de assédio moral podem ser encaminhadas junto às ouvidorias internas, quando as instituições possuem, aos sindicatos, à Delegacia de Polícia, às equipes municipais de Vigilância em Saúde do Trabalhador, aos Centros Regionais de Referência em Saúde do Trabalhador – CEREST ou, ainda, quando ser trata de situações coletivas, ao Ministério Público do Trabalho. Cada caso denunciado precisa ser minuciosamente investigado e, quando diagnosticado que se trata mesmo de assédio moral no trabalho, medidas precisam ser tomadas para apoiar as vítimas e combater as situações causadoras. O trabalhador vítima precisa, em primeiro lugar, acolhimento daquele para quem ele se reporta para pedir ajuda, seja um colega, um familiar, um gestor ou um profissional da saúde, sendo, muitas vezes, necessário tratamento psicológico, medicamentoso e orientação jurídica. A instituição necessita orientação profissional para que sejam tomadas atitudes adequadas em relação aos agressores e a prevenção de novas violências. As situações de violência no trabalho, e de adoecimento desencadeado por elas, necessitam, ainda ser notificadas no SINAN – Sistema de Informação de Agravos de Notificação.

Situações de assédio moral podem ser grandes sinalizadoras de que precisamos olhar melhor para os ambientes de trabalho e rever as relações que nele se estabelecem. Fortalecer o trabalho em equipe, criar espaços de fala para os trabalhadores e cuidar da qualidade de vida no trabalho são importantes ferramentas para combater e prevenir o assédio moral. Nossa vigilância aos ambientes laborais precisam ser, portanto, permanentes, para que o nosso valioso trabalho não se torne fonte de sofrimento e adoecimento. Vamos lutar contra o assédio moral, sempre!

PATRÍCIA FELDEN TORMA, psicóloga.

REFERÊNCIAS

BARRETO, M. M. S. Violência, saúde e trabalho: uma jornada de humilhações. São Paulo: EDUC, 2006.

HIRIGOYEN, M. F. Assédio moral: a violência perversa no cotidiano. 9. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007.

TORMA, P. F. Assédio moral no trabalho: uma questão atual dos trabalhadores do SUS da macrorregião missioneira/RS. 2013. Disponível em: <https://bibliodigital.unijui.edu.br:8443/xmlui/bitstream/handle/123456789/2285/patricia%20torma%20tcc.pdf?sequence=1> Acesso em: 02/05/2020.

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